Mad Men: 1.02 “Ladies Room”

Em Jul 8th, 2008 • Categorias: Blog, Mad Men

Dessa vez o foco foi Betty Draper, esposa de Don Draper e mãe de seus dois filhos, uma menina e um menino. Apesar de ser linda, ter o marido perfeito, a casa perfeita, os filhos perfeitos e tudo que alguém pode desejar, Betty é infeliz. Ela sofre de tremores nas mãos e de depressão, e acaba consultando com um psiquiatra. E é aqui que entramos na discussão do episódio.

O foco foi Betty, mas a história foi sobre as mulheres, apesar de não termos Rachel Menken. Um pouco do assunto girou em torno de Peggy, mas não acho que seja o principal. Considerei os preconceitos contra a psiquiatria, o machismo e patriarcalismo os grandes temas tratados aqui, e eles estão representador por Betty Draper.

Praticamente ausente no episódio passado (ela só aparece nos minutos finais), January Jones nos dá uma excelente interpretação de uma dona de casa perfeita, que tem tudo mas, ao mesmo tempo, não tem nada. Ela sabe que toda aquela vida é uma fachada, e não é feliz. Acho que a cena mais marcante do episódio foi aquela em que Don pergunta se ela é feliz, e ela diz que sim, e depois disse que ele decide o que é melhor para ela. A feição que seguiu ali disse tudo, e palmas para essa jovem – e bela – atriz. O marido tentou comprar a felicidade com jóias, mas ao final preferiu levá-la ao médico. E aí que vem o melhor!

Betty sabe que sua vida é uma farsa, e sabe do caso do marido (a reação quando soube da mulher divorciada diz tudo), e finalmente encontrou um lugar onde pode falar tudo sem medos e sem repreensões. E enquanto estava lá, desabafando e se cuidado, o marido estava na cama da amante, o único lugar que consegue trabalhar, aparentemente. Depois os dois saíram para jantar e pela primeira vez no episódio ela realmente demonstrou felicidade, mas para que? Para chegar em casa e o marido ligar para o médico, que relatou tudo que a mulher contou. Que profissão é essa? Ou melhor, que sociedade é essa? São 50 anos de diferença, o que não é tanto, mas muita coisa mudou. Os maridos, as famílias, as mulheres, os filhos, a psiquiatria. Mas será?

Eu acho que quem não ficou inquieto de raiva ao assistir esse episódio ainda tem muito desses preconceitos. E é por isso que eu digo, só no 2º episódio da série, que já amo como eles usam o passado para criticar o presente. E o que as mulheres querem? Acho que elas querem escolher o que elas querem. Pelo menos ali!

(Ps: Anne Dudek e The Twilight Zone: ótimas surpresas!)



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