Skins: Inauguração no Blog

Em Fev 28th, 2008 • Categorias: Blog, Skins

A cada semana que passa eu me sinto mais idiota. Idiota porque pensei que já mais fosse gostar de alguma série teen. Idiota porque achei que os bons roteiros tinham acabado em “Six Feet Under”. Idiota porque uma série com premissa de mostrar adolescentes baladeiros toma conta do meu programa de torrent e meu botão de f5 pra baixar a legenda. Sinto-me infinitamente idiota.

Por tudo que já assisti, digo que existem três tipos de roteiro: o roteiro que nos faz interessados, mesmo que use de artifícios bobos - como “Lost”; os roteiros ruins - como “Heroes”; e por fim, roteiros genuinamente bons que dobram a audiência como se fôssemos marionetes - como a já citada “Six Feet Under”. Como já disse, pensei que os tais roteiros genuinamente bons estavam acabados e demorariam um tempo ainda para retornar. E bem, como estava enganado.

O seriado “Skins”, de origem puramente britânica, não precisou de muito tempo para se tornar uma das séries mais bem escritas que já vi - apenas uma curta temporada de nove episódios e atualmente estamos no terceiro da segunda temporada. Sim, a premissa do seriado é aparentemente idiota: a história de um grupo de adolescentes que mora em Bristol e sua vida de drogas, baladas e sexo.

Além disso, de primeiro olhar já vimos muitas figuras fáceis em séries adolescentes desse tipo: Sid, o nerd virgem. Tony, o melhor amigo do nerd que não poderia ser mais oposto que ele… perfeito. Michelle, a linda menina assediada constantemente por todos mais velhos. Cassie, a psicótica anoréxica. Maxxie, gay assumido e bailarino. Anwar, um muçulmano cuja vida é feita um inferno devido à sua religião. E por aí vai. É esse o preconceito que existe em toda série teen: a existência de clichês que por décadas, todos estão cansados. E bem, tudo o que posso dizer é que, “Skins”, quebra de forma espetacular alguns desses clichês ao mesmo tempo que os mostra de uma forma altamente cômica, alternando entre o divertidamente previsível ao chocante inesperado. E é isso que digo com devida certeza que faz um roteiro bom.

Cada episódio acompanha a história mais de perto de um determinado personagem, mas sem perder o foco dos outros do grupo. Vemos suas famílias, seus problemas, acompanhamos tudo diante de seu olhar de uma forma tão agradável de se ver que transforma todo episódio um prazer incrível em que 45 minutos passam como se fossem dois. Tudo nos é mostrado de uma forma tão sublime, sutil, e ao mesmo tempo chocante e estrondoso… algo sinceramente raro de se ver. Temos altas doses de um humor incrível e na próxima cena já estamos temendo que o pior aconteça, sentimos alegria com os personagens, apreensão com os personagens, vontade de se esconder junto com os personagens. Torcemos na primeira temporada para que Tony deixasse de ser tão egocêntrico e agora, na segunda, sofremos de pena dele. É uma variação tão contante de sentimentos que bem… é algo impagável.

Como se não bastassem roteiros em todos os quesitos excelentes, temos pequenos grandes atores (esses, são realmente adolescentes) que representam de uma forma quase que real aos seus, ao mesmo tempo, caricatos e não-caricatos. A trilha sonora tem um quê adolescente, sim - inegável. Mas que não falha nunca. Algumas vezes você se sente dentro de um musical, e em algumas bonitas cenas a música é tudo o que as leva… enquanto que em outras vezes, dois personagens se olhando dizem tudo o que um roteiro de trinta páginas não diria.

Deixo com vocês o vídeo que me vez assistir a série. Não tem problema em confirmar a idade (para menores), ainda não sei porque esse vídeo foi tachado como “Conteúdo Proibido para menores”. É o vídeo promocional da segunda temporada (não contém spoilers) que já vi tantas vezes que praticamente já o sei de cor. Vou tentar comentar a primeira temporada e os três maravilhosos episódios que já foram ao ar esse ano antes da próxima segunda se puder, mas caso não consiga, estarei aqui com os comentários do novo “Michelle” assim que sair a legenda.

Até!



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